Quinta-feira, Julho 14, 2005

Poema sobre nada

Escrevo
Em linhas vazias
Palavras vizinhas
Da imaginação

Não nego
A minha loucura
Tão pura
Que alça seu vôo
Rasgando os céus
Atropelando meu chão.

(Mariana Antonelli - 23/10/2002)

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Meu Caderno

Rabisco
Com riscos
Meu pensamento
arisco
à gaiola de sentidos

Risco
palavras
na vaga tentativa
de um simples poetar

Gosto de desenhar
minha pele com os dedos dele
que dançam devagar
me deixando mansa

Sou menina,
criança
Sou aquela que gosta
de um brilho no olhar

E sentir tudo leve
pelo ar
criar asas
pra poder me atirar

E libertar meus lábios
nascidos para beijar
como uma ave busca um ninho
para um breve repousar.

E no meu peito -
travesseiro do meu dengo -
tantas emoções sobrevoando
suspirando devagar

(Mariana Antonelli - 24/02/2002)

Publicado por Marianíssima às 11:20:22 AM


Terça-feira, Junho 14, 2005

Diminutos

Tenho que diminuir os gastos, o tempo vago, minhas horas de sono, a minha grande e tola distração. Tenho que diminuir as lágrimas expostas - nuas no rosto pálido -, as lamentações das coisas que não foram, minha ingenuidade, meu grau irresponsável de sinceridade, a minha insistente e desvairada insanidade. Tenho que diminuir as emoções em altos picos. Dizem que isso é correr riscos demais. Tenho que diminuir o vício de correr riscos demais. Diminuir a quantidade de pensamentos que rondam minha mente. Diminuir a minha mente. Tenho que diminuir minhas mãos, que cismam em agarrar, afoitas, a tudo e a todos. Diminuir a quantidade de palavras que se alojam acomodadas dentro da minha boca. E, de minha boca, diminuir o tom da voz, junto com as futilidades ditas por dizer, largadas por aí, sem ter o que fazer em alguma mente ou em qualquer lugar. Tenho que diminuir meus olhares vagos, minhas inúmeras e teatrais expressões. Tenho que diminuir a quantidade de chocolate, a gordura localizada, a celulite, algumas medidas aqui e ali do meu corpo mutante, do meu corpo comandado, usado, abusado, inerente a minha mente (será?). Tudo isso para alongar minha vida.
E qual vida se tem, quando se é diminuída?
As favas com os diminutos. Tenho, sim, é que aumentar tudo para viver como tem que ser: vivendo. Só isso. Só isso tudo.

Mariana Antonelli - 07/04/2002

Publicado por Marianíssima às 1:17:59 AM


Terça-feira, Junho 07, 2005

Costura

Percorria
pela pele
seu dedo
E aquele doido medo
sumia...

Se o pêlo
pelo corpo
arrepia
desliza sua boca
na minha
e guia um sorriso
uma sorte
por entre minha alma -
recorte.

(Mariana Antonelli - 31/07/2003)

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Amor meu amor...

Meu amor pulsa mais forte a cada dia...
e eu chego a te sentir por um instante
tão perto da minha vida, meu amado, meu amante
que mesmo com tua ausência permanente
permanece em mim assim constante
este sentimento - força que me faz viver.

(Mariana Antonelli - 08/01/2004)

Publicado por Marianíssima às 1:43:22 AM


Segunda-feira, Maio 30, 2005

Quebra Cabeça

Olhos me buscam

Perdidos

Olhos me seguem

Pedindo

Toda minha boca

Fugindo

De qualquer tempo

Esquecido

Pelo momento

Indeciso

Meu sentimento.

(Mariana Antonelli 1/10/2002)

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Poética

Pôr ética
na minha postura
titica prática?
Capota e cai
quem põe.

- Pô...É, Tica???
- É!

(Mariana Antonelli - 20/07/2002)

Publicado por Marianíssima às 11:52:14 PM


Domingo, Maio 22, 2005

Vai por ali, ó

Aqui dentro eu faço
minha vida sem retalhos
vou tecendo fio a fio
o fio da meada na horizontal estrada
das veias coração cabeça corpo
menina mulher poeta vulcão
Sou mesmo é da contramão
Gosto de virar cabeças, entortar pescoços
entre as linhas das entrelinhas que me fazem
tão à vontade
Caminho na reta discreta, toda indiscreta
e rebolo pra você
sopro um beijo, tiro a roupa, mostro tudo
que eu guardo aqui dentro
do meu ser
Ah...Serafim
eu sou assim mesmo: assim!
Não vá você gostar de mim
Melhor eu me vestir de novo.
Melhor eu ir molhar o jardim
Melhor continuar tecendo meus fios
e te deixar ao invés da chegada, o fim.

(Mariana Antonelli - 30/04/2002)

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Palavras beijadas

(Quantas são as emoções que carregam as palavras?)
(Mas quantas são as emoções tornadas em desejos quando duas bocas se beijam?)

A palavra quis os olhos
que quiseram os lábios
e que, em silêncio, pediram o beijo.

E toda livre linguagem nossa,
presente todos os dias,
trancou-se uma noite na prisão perpétua do sentir.

Os lábios algemaram as línguas ...
e as condenaram deliciosamente
à linguagem do beijar.

(Mariana Antonelli - 13/05/2002)

Publicado por Marianíssima às 12:35:42 PM


Quinta-feira, Abril 07, 2005

A andança da mudança

Foi daquele jeito mesmo: desliguei o telefone com o Felipe e fui arrumar minhas malas para seguir rumo ao desconhecido; ao que nunca tive coragem de me permitir descobrir.
Havia me formado em Odontologia, porque sempre foi o desejo de meus pais. Mas e o meu desejo? Bem, eu fingia para mim mesma e para meu sonho de cursar Turismo ou Hotelaria, que Odontologia era o máximo! Que ser dentista era muito maneiro...Mas...ledo engano...
Ser dentista era um horror. E eu comecei a notar isto somente quando iniciei meu questionamento sobre o futuro...sobre minha vida. Afinal de contas, eu estava com um diploma de dentista na mão aos 23 anos...e já havia se passado 4 anos. O que eu iria carregar para o "lado de lá", depois que eu saísse deste plano? Dentes?...Credo...
A idéia de que minha vida se resumiria a dentes, bocas (às vezes impregnadas de mau hálito...) abertas na minha cara, diante de meus olhos - que queriam ver o mundo - e, por fim, num casamento por pura conveniência com o Felipe, ia me deixando sem ar, me dando tontura. Eu queria gritar. Queria berrar para mim mesma que o Felipe era um sem graça, que não queria ver mais bocas fedorentas (ou não, tanto faz...). E berrei. Esperneei para mim mesma e para aquela grande coisa que eu havia desenterrado debaixo da cama. Agora ela estava arreganhada sobre minha cama. Interessante aquela grande coisa...Eu a encarava com um sorriso maroto. Formato? Quadrada, gigantesca e cheia de coisas que nem eu mesma sabia ao certo o que eram e por quê havia colocado ali. Minha antiquíssima mala era que estava aberta descaradamente diante de meus olhos arregalados.
Não pensava. Aliás, pensava...Pensava em quantos olhos, arregalados também, eu tinha para ver, quantas bocas sorridentes para sorrir junto comigo. Pensava sob quantos ângulos diferentes eu veria o sol nascer e se pôr; quantas culturas, sabores, comidas, cheiros e perfumes eu iria experimentar em minha vida.
Medo...medo? Um pouquinho, talvez. Mas minha mala era muito maior. Superava o tamanho e a bagagem que o medo, esse estúpido sentimento, possuía.
Minha vida sempre fora a mesma coisa. Eu sempre carreguei o medo. Medo de contrariar aquilo que seria conveniente a todos, menos a mim. Agora não seria mais. Eu iria carregar algo menor em sua aparência, porém...muito mais interessante que aquela vida monótona.
E foi assim mesmo: "Boa noite. Eu também te amo. Até amanhã."...Só que, na verdade, era o "até nunca mais" ou "quem sabe um dia, não?". Mas não falei nada. E por que deveria? Agora, minha vida seria junto à mochila. Ela seria minha grande confidente e parceira. Seria com ela que eu me casaria. E não com o politicamente correto do Felipe.
"Sim. Eu aceito!" - disse à minha mala (que dentro guardava uma enorme mochila para minhas andanças pelos novos caminhos e trilhas) antes de eu partir de casa e...partir para o mundo!

Mariana Antonelli - 14/11/01

Publicado por Marianíssima às 6:54:12 PM


Quinta-feira, Março 17, 2005

Reflexo

Da noite caiu
Uma cortina de estrelas
Se estendeu
No cenário do céu
A chuva caía
fina
como os sentimentos
daquela menina
estampada de luzes
se olhou no espelho
se viu
e viu
o sol abraçando a noite
acordando o dia...

Ela raiava para a vida
crua, nua, simples:

a menina encharcada pela aurora.

(Mariana Antonelli -16/02/2002)

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Meu Bem

Olha, meu bem
há uma coisa importante
que preciso te contar

Escuta, meu bem
o coração da donzela
parou de acelerar

Não bate mais no compasso
dos teus passos
eu acho que ela fugiu

Olha, meu bem
se você sentir falta dela
quem sabe eu possa ajudar?

Mas tem uma coisa, porém,
meu bem...
Só ela sabia amar
como ninguém

E agora essa moça
toda "leite moça", toda derretida, assumida
tá sumida
foi pra Lua
e não quer mais te visitar...

(Mariana Antonelli - 01/04/2002)

Publicado por Marianíssima às 2:20:42 AM


Segunda-feira, Março 07, 2005

Fim

Não minto
Te sinto
E me findo
Até o fim
Em você
Em mim
Meu

Fim.

(Mariana Antonelli - 20/04/2002)


Publicado por Marianíssima às 9:36:59 PM


Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005

Só sua

Bateu na porta da frente
Olhou por dentro de mim
Me viu nua inteiramente
Não quis que tivesse mais fim...

Voltou no dia seguinte
Trouxe um buquê de rosas
Tirou todo meu apetite
Transformou meus poemas em prosa...

Roubou da minha boca o gosto
Furtou sem dó meu coração
Levou a minha segurança
Arrancou dos meus pés o chão...

Me amou como se fosse a única
Beijou meus seios em silêncio
Deitou meu corpo em seu colo
Tirou para sempre meu eixo...

Mariana Antonelli - 23/09/2002

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Por qualquer lugar

Sem saber por onde ir
vou andando por aí
pelas ruas e avenidas em que da vida me perdi

Sem pensar muito em medos
sem deixar de reparar
nos meus sonhos e segredos
que nem sei a quem contar

Sem saber que mãos pegar
para caminhar comigo
largo meus braços pro céu
me penduro no infinito...

E pra onde é que eu vou
seguir rumo algum lugar
quanto falta pra eu partir
o que resta pra chegar

Em algum lugar que tenha
para algum lugar que há
pra qualquer lugar que seja
o lugar pra eu te encontrar...

Mariana Antonelli - 12/09/2002

Publicado por Marianíssima às 12:36:56 PM


Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005

Outono em mim

Vá, meu bem
aproveita o dia de hoje
olha só como o sol está
neste céu azul de outono
só faltava eu,
em seus olhos,
enfim raiar...

Vá, meu amor
refresca sua alma
esqueça o suor do calor
mergulha seu corpo no mar...

E quisera eu ser sal
para em sua pele poder grudar.

Mariana Antonelli - 01/05/2004

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Entupida de nada

Me entupo
de tudo

Mas só tapo o nada
que me entorpece toda...

E essa angústia
permanece
vagueando por meu vácuo;

E me parece
que de mim
ela não esquece...


Talvez
porque saiba
o quão fácil
é obter-se dos meus inúmeros
piscar de olhos -
lugar aonde vacilo,
me visto frágil
e esqueço de existir...

Mariana Antonelli - 15/06/2004

Publicado por Marianíssima às 12:54:11 AM


Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005

Para um ausente ... (mas que agora está presente!)

Volte logo.
Eu já me esqueci de como se faz para esperar.
Volte depressa para me amar e me ame então pra sempre e sem pressa para acabar.
Eu já não sei nem mais em qual lugar guardei aqueles tais pontos finais. E meu coração vai se vestindo de você a cada dia um pouco mais.
Por isso volte logo e corra atrás do nosso destino, menino.
O que é meu é seu também, eu prometo, eu juro, eu assino.
A minha boca só lhe espera toda certa pro beijar. Volte logo e a preencha e depois me aceite em seu estar.
Porque os meus sonhos já não cabem mais nas minhas noites. E minhas noites eu tenho estado a virar com a cabeça em seus olhos, com meus olhos tão cansados de viverem embriagados em poças de longas lágrimas, viciados do ato triste que é o chorar.
Será que isso vai acabar?
Será que eu vou ter ressaca da saudade tamanha?
Será que você virá?

Mariana Antonelli - 21/09/2003


Publicado por Marianíssima às 3:19:24 AM


Sábado, Janeiro 29, 2005

Versos

Faço versos
ao inverso
me invento

Faço versos
tão perversos
quanto o tempo

Faço versos
tal qual vento
no Universo

Faço versos
que são côncavos
e convexos

Faço versos
porque invejo
a quem lhe vê

Faço versos
pra conservar
o meu viver...

Mariana Antonelli - 04/02/2004

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Sabor

Te engulo em meus pensamentos
e saboreio
lembrança por lembrança
um gosto doce na ponta da língua
(resquícios de um beijo inacabado).

Provo, assim, o sabor do meu desejo
que não passa
de mero passado saudoso
(fruta mais que madura deitada no chão).

Mariana Antonelli - 19/02/2003

Publicado por Marianíssima às 5:12:41 AM


Sexta-feira, Janeiro 14, 2005

Lamento

Lamento as flores em vão, cuspidas com seu azedume.
Lamento todos os afagos, limpados com desprezo em cada partida minha.
Lamento suas palavras enojadas, desprovidas do que significa ser.
Lamento o beijo escondido, com sua boca de cacto, numa boca vulgar qualquer. Numa boca que riu de mim, mas que eu lamentei por ela também.
Lamento sua raiva inventada, que se emanou feito praga.
Enfim, lamento tantas coisas...
Mas não lamento meu tempo quando estava em seu tempo.
Fiz minha parte. E sei quem sou.
E você? Sabe se olhar cruamente no espelho sem vomitar?

Mariana Antonelli

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Conquista

Sim, eu fiz mil poses,
cem closes, sorri tantas vezes,
eu sei...
Sim, eu fiz meu charme,
chamei seu nome, quis sua carne,
sonhei com fome...
Lhe fiz poemas, inventei danças,
coreografias, poses, cenas sem seu olhar...
E então vesti-me
feito cigana sabida,
daquelas que não falham quando falam
do destino da vida,
li minha própria mão
e lhe encontrei na minha palma.

Hoje você é real e compartilha de minha alma.

Mariana Antonelli - 24/11/04

Publicado por Marianíssima às 12:45:36 AM


Quarta-feira, Janeiro 05, 2005

Sou

Eu sou a palavra
na ponta da língua
sou lua que míngua
chuva que nunca respinga

Sou céu todo aberto
e azul turquesa
sou o alvo certo
da sua incerteza

Eu sou bem mais
que olhar pra trás
sou toda história
a sua memória

Sou sorriso solto
e choro aos prantos
sou canto em coro
sou mais que um encanto

Eu sou a verdade
mais absoluta
e sou a mentira
mais estapafúrdia

Sou zero e mil
sou o fim da estrada
sou qualquer partida
e toda chegada.

(Mariana Antonelli - 02/02/2003)


Publicado por Marianíssima às 1:04:21 AM


Sexta-feira, Dezembro 31, 2004

Com Coração

Me colore
com mais bela cor
ou me cante
a mais linda canção
E escolha
um caminho...
seja aonde for
Que eu lhe acolho
em um canto de amor
e lhe conto
sobre cada encanto
do meu coração.

(Mariana Antonelli - 02/02/2003)

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Assediada

Ao tentar te esquecer
fui lembrada
E minha boca já calada
foi beijada
Minha mente por você
invadida
dia à dia
cada parte do meu corpo
foi tomado
por tuas mãos tão adestradas
sequestrado

E não tive mais saída
ao teu lado
meu amor em cativeiro
foi deixado
Perseguiste-me por todos
os meus lados
eu cansada fui cedendo lentamente
ao teu modo de me ter
assediado.

(Mariana Antonelli - 19/01/2003)

Publicado por Marianíssima às 5:03:56 AM


Sexta-feira, Dezembro 24, 2004

Opostos

E assim vamos
nós dois
discutindo pelos caminhos:
eu cuspindo flores,
você espinhos,
dores.

E se perguntam, em murmurinhos,
pelos corredores,
sobre nosso sentimento,
eu respondo com um poema
e você com um xingamento.

(Mariana Antonelli - 25/02/2003)

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Tua Gramática

Teu nome
é meu pronome
pessoal preferido
proferido
como canto
entoado
pelos cantos
da minha boca
viciada
em teu gosto
tua gramática
fluente
em tua língua
exercito a parte
para mim mais importante:
a prática.

(Mariana Antonelli 15/12/2002)

Publicado por Marianíssima às 10:06:19 PM


Sexta-feira, Dezembro 10, 2004

Tradução

E assim, de surpresa, sua mão traduziu sílaba por sílaba do meu corpo dissimulado. Logo eu, que nunca havia sido desvendada de forma tão perfeita e profunda por alguém até então. Leste a minha pele em braile, passeando a ponta dos seus dedos pelas pontas das minhas curvas e pelos becos do meu íntimo de um jeito exato e delicado. Logo, apaixonante.
E depois dos dedos, foram seus olhos que vieram quietos e concentrados em todas as minhas inúmeras e imperfeitas singularidades e meus defeitos tão mal maquiados através de gestos graciosos. E minha face ali, enrubescida...se sentindo talvez um pouco ameaçada ou ligeiramente invadida. Tão deliciosa descoberta...
E depois dos olhos, minha boca: presa fácil, preste a ser atingida e dominada, enclausurada por seu lábio curioso e calmo e secreto e calado. Um minuto. Pronto. Tudo no ponto. Eu estava completamente nua em minh¿alma pra você. Tão à mostra, tão exposta, tão crua e indefesa pros seus dedos desbravadores e seus olhos incansáveis de esmeralda.
Foi então que, já cansada, não mais hesitei. Entreguei-me à sua linguagem.
Eu, completamente traduzida.

(Mariana Antonelli - 30/09/2003)

Publicado por Marianíssima às 4:24:32 AM


Segunda-feira, Dezembro 06, 2004

Digitais

Guardo impressões
do que, imanente,
em minha mente
dormiu.

E me parece imperecível
este sentimento
que padece em meu leito,
não ruiu.

Mas faço o possível
pra ser impassível
inundando-o de uma suposta
amnésia improvisada

Mas o sacrifício é inválido
pois esse resiste impávido
e não se esvai
não estanca
sentimento louco
que dentro do corpo se tranca

Entranhou-se em minha pele
esse perfume que não sai

Imprevisível
por tempo
ilimitado
como estranhas digitais.

(Mariana Antonelli / 22/04/2003)

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Teoria

Se eu te perder
eu acho
que nunca mais vou me achar

(Mariana Antonelli / 06/04/2003)

Publicado por Marianíssima às 5:36:01 AM


Terça-feira, Novembro 30, 2004

Com-ti-nua-mente

Continuar

Com tudo

Contudo

Com ti

No ar

Te conto

Toda contente

Comigo nua

Contanto

Que tua mente

Continue

Com tudo

Pra continuar

Comigo.

(Mariana Antonelli - 1/09/2002)

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Ser De Repente

Ser
serpente
ou somente
semente
una.

Em suma
sou uma

quando quero
duas ser.

(Mariana Antonelli - 9/06/2002)

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Mire Estrelas

Mire as estrelas e se vista de brilhos só para vir encontrar os meus negros olhos e clareia, assim, tudo e mais o céu da minha boca. Mire seu corpo morno no meu alvo mais preciso. E faça isso a seu modo. Mas não esqueça de ser frio e calculista para não me errar. E acerte bem em cheio o meu ponto mais fraco e me mire novamente com sua boca de hortelã pra que eu possa, enfim, refrescar a minha face. Logo depois, assopre em volta de nós as cores azuis da manhã.
Tente ser, de vez em quando, só de vez em quando, agressivo e impetuoso. E mire sua mão bruta na minha carne viva, dominando minha pele igual droga letal que descontrola o corpo. E depois de aliviar sua ânsia de instinto, devolva o que me pertence e mire seus olhos para outra direção que não seja a minha. E chore. Mire embaçado a gota d'água que debateu-se salgada pelas margens do seu rosto até se espatifar no chão. Mas não desista de ainda ter ânimo para me afoga neste mar que inunda o seu corpo. E mire novamente minha cara ofertada. E, sem se encolher por entre as sombras dos meus cabelos, encare algumas miragens que a vida cisma em insinuar.
Insinue, enfim, ao fim de mais um roteiro, suas mãos na frente da minha boca e as estenda abertas e entenda, sem franzir a testa, que dela eu cuspirei mais e novas estrelas pra recarregar algumas das suas que acabaram se apagando por aí...


(Mariana Antonelli - 29/04/2003)

Publicado por Marianíssima às 6:39:49 AM


Quinta-feira, Novembro 18, 2004

Não lhe esqueço

Enlouqueço
se me esqueço
pelos sonhos com seus braços...
adormeço
e não me acho
por entre as profundas horas...
reconheço
essa demora
para o instante do acordar...
recomeço
o meu fim
novamente em você...

E apresso
a história
pra poder lhe encontrar.

(Mariana Antonelli - 01/01/2003)

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De novo noiva

E se um dia você voltasse
Na minha vida aparecesse
Eu não sei o que faria
Se acaso você pedisse
Para acontecer de novo
E acordar o meu sossego
Me fazendo um alvoroço
Por todo meu aconchego

Se você viesse mesmo
Para voltar pro meu peito
Me batendo novamente
Todo aquele sentimento
Que às vezes me doía
Machucando aqui por dentro

Se um dia você voltasse
Te pedia em casamento...

(Mariana Antonelli - 19/09/2002)

Publicado por Marianíssima às 11:09:05 PM


Sábado, Novembro 06, 2004

No escuro

Deu uma última olhada.
Passeou com seu par verde arredondado pelo meu corpo único estirado
entre os lencóis e respirou a última fatia do meu sono.
E meu suspiro desacordado e brando
o alertou pra sua partida inesperada
que repartiu meu coração em retalhos desiguais.

Colocou seus óculos escuros,
dobrou a esquina mais próxima do nosso fim,
me apagou da sua retina
e nunca mais retornou.

Mariana Antonelli - 09/08/2004

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Tudo

Eu te amei no instante em que vi tudo.
Ali na minha frente, vulnerável, mudo, nu, desnudo...eu amei o teu segundo de ser quem você é no teu maior total.
E no teu total senti o teu silêncio, a tua essência em sintonia com o meu corpo todo.
No teu olhar não existia escudo e a tua alma se deitava em mim...
E foi assim que eu percebi estar mesmo te amando e te querendo tanto no meu mundo todo...você totalmente em mim.

Mariana Antonelli - 18/07/2003

Publicado por Marianíssima às 8:12:04 AM


Sábado, Outubro 30, 2004

E se for assim?

E se eu um dia resolvesse sair
do seu pensamento
fugir
de todos os sentimentos
abrir as portas da imaginação?

E se um dia vc me esquecesse pra sempre
da sua vida
tomasse duras medidas
para me afastar do seu calor?

Não quero nunca pensar nisso...
nesse precipício
esse princípio de não ter mais amor

Nem ter pra quem se dar
ou entregar
mil vezes
qualquer coisa
mil beijos apaixonados pelo ar...

(Mariana Antonelli - 06/09/2002)

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Blues Eterno

E no meu quarto à meia luz
Vejo sua sombra indo embora
Enquanto isso toca um blues
E eu vou cantando sua demora

Já nem sei mais se vai voltar...

Na cabeceira seu isqueiro continua
Com o seu cheiro esparramado pela cama
E o desejo no meu corpo perpetua
Como um fogo que não apaga sua chama

Então me escute
E volte de novo
A sua bebida já esquentou
Quero matar minha saudade só um pouco
Ao som de um blues
Que nunca terminou.

(Mariana Antonelli - 30/09/2002)

Publicado por Marianíssima às 9:34:09 AM


Segunda-feira, Outubro 11, 2004

Cada dia me convenço de que você sabe encontrar com exatidão todos meus detalhes. Até mesmo os mais invisíveis para os olhos que não sabem ver.
Enquanto você rondava pelas minhas esquinas, ora descobrindo becos sem saída ora se deparando com portas totalmente escancaradas, eu permanecia quieta, fingindo que nada acontecia, calada.
Desviei pra um lado, me fiz de tonta, desconversei, virei o rosto.
Mas de nada adiantou.
Que grande ingenuidade a minha duvidar desta sua destreza (que chega a ser irritante) tão capaz de me deter, me prender pelos cabelos.

(Mariana Antoneli 24/08/2004)


Publicado por Marianíssima às 11:27:06 PM


Quarta-feira, Outubro 06, 2004

Aceso

Há algo que inflama dentro de
mim
Estranho é que por vezes
tudo em volta parece preto e branco.
Mas cinzas se vão;
se espalhando perdidas no chão.
E finalmente meu corpo corre livre
através da luz e da cor:

movimentos perpétuos.

(Mariana Antonelli 09/09/2004)

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Impressões

Se um dia você for embora,
sumir...
em meu corpo te acharão.

Tuas digitais estão
por todos os caminhos da minha pele.

Mariana Antonelli - 09/08/2004



Publicado por Marianíssima às 4:37:34 AM


Segunda-feira, Setembro 27, 2004

Meu oceano

Meu oceano
Que em mim se afogou
Fez enchente por todos os lados,
tudo transbordou
E meu peito, cheio de águas,
chorou
E minha boca, cheia de beijos guardados,
deles mesmos se alagou
E a mágoa, que deveria haver,
se dissipou
Mas por enquanto
tudo o mais se afundou
E me afundou
E eu fiquei tão inundada
tão totalmente sem ar...

À deriva o meu barco naufragou...


(Mariana Antonelli - 25/11/2003)

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Lição de casa

E quando eu chego perto da sua cor é que sinto o cheiro do arco íris. É que fervo por cada poro da minha pele - tecido aquecido e frágil.
E quando seus olhos abocanham minha boca, meio acanhada eu lhe ofereço flores plantadas no meu jardim. E mesmo que você não as aceite, dou um suspiro longo e algo branco me invade. E fico em paz.
E quando sua mão de bicho me puxa o cabelo, eu não faço questão de lutar contra. Vou ao encontro de seu comando e obedeço à necessária vaidade.
E é verdade...eu agradeço esse bem que você me faz. Cantando o duro e o morno, mostrando o frio e o azul, forçando minha cabeça sonhadora a enxergar que nem tudo é puro, que nem tudo é ouro. Mas que do bom pode-se fazer melhor. E do melhor pode-se provar. E é aí que você entra: me provando. E interprete isso ao seu próprio gosto.

Mariana Antonelli - 14/05/2003

Publicado por Marianíssima às 6:21:33 AM


Terça-feira, Setembro 21, 2004

O amor e o outono

Foi-se
feito folha seca
caída da árvore
no outono
foi-se
frio
aquele amor tão vivo
sem sono...

No seu olhar pra mim
há a ausência
de um brilho
sempre essencial.

No seu falar sem fim
faltaram vírgulas, exclamações
e veio o ponto
final.

E aquelas lembranças
tantas tranças de emoções
que traçamos juntos pelo tempo
vão caindo feito folha seca
de outono
vão-se indo sem rastros
com o vento...

(Mariana Antonelli - 19/04/2003)

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Olhos Verdes

É você
quem olha para cada
esquina escura
tudo verde
e ilumina
a vida
miúda rotina
colore
sempre
que abro a cortina
tudo muda .

(Mariana Antonelli - 27/10/2002)

Publicado por Marianíssima às 10:22:06 AM


Quinta-feira, Setembro 16, 2004

Meu Chão

Percalço
Se ando
.........Descalço
Meus pés
Não pisam
Em falso

(Mariana Antonelli 07/01/2003)

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Mergulho

Olha de novo dentro dos meus olhos de cor, mas desta vez mergulhando mais profundo que seus limites lhe impõem a cada vez que você tenta ultrapassá-los. E, por favor, mantenha-os abertos. Eles não irão arder, eu prometo. E enxergue que eu tenho tanto mar. E descubra no meu azul o lugar que desejar descobrir. Olha aqui dentro. Só mais uma vez...porque tenho essa sede de não engolir um não como resposta. Tenta sentir que seu corpo ainda molha, que seus olhos ainda alagam, que sua boca ainda saliva e que algo ainda sacia essa secura amarga na sua goela.
Depois disso, inventa que ainda há algo ventando dentro do seu suposto vazio. Não aceito o vácuo. Não aceito que você vá assim. Deixa eu lhe mostrar que ainda há algo que não foi inventado. Deixa minha boca sorrir acreditando que a cada sorriso dado, novas reações desencadearão por dentro de você. Vertendo o breu em fagulhas brilhantes, a fome de fé em um grão de esperança, o choro entalado em pranto acolhido, o oco em cheio, o olhar vazio no enxergar delirante, a fartura de cinzas em um grande arco íris de contos de fadas.
Esqueça o desarrimo das avenidas da vida e, por fim, olha pela última vez, mas agora pra minha boca balbuciante e me beija falando mudamente que há sangue ainda correndo pelas veias do seu corpo desnudo. E inunde-se toda vez que a maré ameaçar o recuo...

Mariana Antonelli 25/04/2003 (pra meu amigo J.P, de coração)

Publicado por Marianíssima às 3:47:51 AM


Terça-feira, Setembro 14, 2004

TEMPERADO

Assim só
te olho

pra imaginar
sua boca sedenta
sorvendo meu gosto...

Já passa de Agosto
e foi-se Setembro

Mas meu rosto
ainda é o resto
do seu olhar
de qualquer tempo.

(Mariana Antonelli - 02/11/2002)

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SUBSTÂNCIA: AMOR

Tomo todas as sílabas prescritas pela sua boca de cura.
Fico bem. Passo bem.
Ultrapasso a dosagem.
Abuso.
"USE COM MODERAÇÃO"
Não presto atenção.
E assim eu me extrapolo toda de você e entupo meu peito mais que devia.
"Você vicia, sabia?"

Fui ao médico do coração e ele, com o semblante sério, virou-se para mim e disse:
"Seu sintoma, minha filha: ingestão abusiva de substância química. Compulsão."
Perguntei assustada:
"O amor é substância química, Doutor?"

Mariana Antonelli 03/07/2003

Publicado por Marianíssima às 2:39:55 PM


Domingo, Setembro 12, 2004

Sen-ti-men-tal

Sem ti metal eu viro
Mente sem vida
Vida sem sal
atemporal...
eu vou seguindo....

Senti tal tempo
me vasculhar...
e se tivesse a senha
pra te mentalizar
um temporal viria me molhar.

(Mariana Antonelli 22/05/2002)

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QUE ACONTECE?

Pra onde será
que você foi

Quem te levou
nesse momento

Que contratempo
da batida no meu peito
eu te acho e ajeito
um jeito de te olhar

Aqui bem dentro
dos meus olhos tão perfeitos
mora um universo cheio
de espaço pra você ficar...

Não vá ainda
sente aqui e me escute
e se encoste por meus cantos
que eu já vou lhe encantar...

E me confesse
porque você foi embora
e me cansou com a demora
de hora em hora, ora bolas!
Sem essa de me deixar...

(Mariana Antonelli 12/09/2002)

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VEM

Vem. Não precisa medir suas forças. Vem pra cima, mira os meus olhos e congela minha imagem na sua retina. Não meça forças na hora de ir contra a minha boca e arrancar dos meus lábios um gosto ácido de amor. Vem. Não precisa esperar. Estala os dedos que eu vou a seu encontro. E depois abraça meus quadris com seus braços longos e encoste a sua cabeça na minha barriga e peça mais um carinho no seu cabelo de onda de mar. Vem. Me carrega para a praia e cuspa poesias ou qualquer coisa piegas bem na minha cara. Eu vou gostar. Depois me puxe pelo cabelo, me vire para você e diga que da minha vida o seu corpo já tomou posse. E me beba, como bebida quente, de gosto forte e adocicado. E me cheire como um perfume barato, mas viciante. E me cate por cada esquina minha com suas mãos afoitas e sedentas de paixão. E depois durma com seu rosto coberto pelos meus cabelos e sonhe comigo até que o dia amanheça na areia da praia com outro sol voyerista brilhando os nossos corpos e diga que teve o melhor sonho de sua vida.
E venha sempre. Mas nunca da mesma forma...

Mariana Antonelli - 16/04/2003

Publicado por Marianíssima às 7:12:35 PM


Quarta-feira, Setembro 08, 2004

CORPO E CACO

Preciso unir todos os cacos que pelo chão e pelo caos ficaram. Cacos de um corpo que anda calado; à sua própria boca, colado.
Preciso unir os cacos de um corpo que anda mais comum que o normal. Incomum. Insosso e, quem sabe, indiferente. Não importa.
Um copo quebrou. O corpo quebrou. E os cacos continuam espalhados pelo chão, porque não há mãos para catá-los, uni-los, colá-los.
Vassoura e pás, alguém?
Meu corpo partido em pedaços.
Meu corpo, um copo. Um copo em cacos.
E os cacos expostos ao acaso...

Mariana Antonelli - 24/08/2002

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PELE DE PAPEL

Escreva
no meu corpo
a palavra que quiser

E depois traduza tudo
em sua língua
no idioma mais perfeito
pra me ter - livro aberto -
me compreender mulher.

(Mariana Antonelli -25/10/2002)

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LANÇA-SE

Lança seus olhos perdidos e vermelhos na direção dos meus e me confesse o quanto chorou por minha ausência e por todos os erros que sua estupidez desconhecida cometeu. E me puxe com sua parca força pelo braço quantas vezes for preciso, mas sempre implorando que eu escute as tantas rosas entaladas na garganta que você tinha para me oferecer. E depois cante baixinho, em meus ouvidos, músicas sobre estrelas, céus, mares e cores e sonhos até me fazer dormir. Lança também esse corpo cansado de noites mal dormidas em cima dos meus ombros e jamais esqueça de molhá-los com saliva e lágrimas. Diga que tudo o que passamos não passou de um pesadelo e depois lança sua boca entorpecida de desejo sobre a minha, mas não espere que meus lábios correspondam à sua cena. Porque eu passei a desconfiar até mesmo dos filmes de amor, onde todos os finais são felizes.
Então me convença que seu corpo veio correndo transpirando agonia, à procura da minha pele que lhe dá algum alívio, alguma história, uma divina inspiração, mais algumas cenas, um pouco mais de vida, mais palavras bonitas que nem a boca sabe falar.
Mas ainda que eu desconfie, ainda assim, lança poemas pelo ar que eu respiro, lança afagos entre os vãos do meu corpo, lança sopros de luz nos meus olhos, lança mãos quentes no meu coração gelado, à deriva, tão exposto na vitrine da minha carne viva. E convença meus olhos de que dentro dos seus ainda resta uma verdade para ser dita. E convença minha boca de que na sua ainda resta um gosto ligeiramente doce. E convença meu coração de que o seu ainda bate por vontade própria. E convença meu corpo de que o seu não é artificial. E convença, por fim, minha dor a parar de doer. E estanca meu sangue num abraço sincero e quase sem fim.
E depois vá embora sentir o gosto da chuva que cai.

(Mariana Antonelli - 20/04/2003)

Publicado por Marianíssima às 7:28:53 PM

Impressão Digital:

26 anos.
Carioca, que adora paulista, que também se dá bem com os mineiros, que admira os nordestinos, que se diverte com os sulistas... Uma quase jornalista que é quase mais uma poetisa, metida a saber lidar com essas tais malditas, urgentes e necessárias palavras. Falo demais, escrevo demais, penso demais, choro demais, amo demais. Intensidade pode até ser um bom apelido para mim.
Mulher mística, do signo de Escorpião, com ascendente em Escorpião e lua em Câncer. Praia, amigos, botecos, livros, música, CHICO BUARQUE, e um grande amor.
Fim.

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